Joana

Olá!

Bem-vinda ao a(m)arte blog, que nasce da vontade de contar a minha história, como mulher portadora da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, mas não só. É o ponto de encontro de várias histórias e informação útil que vai ajudar todas as mulheres, em especial as que na sua viagem levam o peso da (in)fertilidade.

Um espaço inteiramente de partilha e dedicado a nós mulheres, que nos devemos amar com as nossas (im)perfeições.

a(m)arte é a arte de ser mulher, de nos amarmos na plenitude.

Reconstrução, quais as técnicas?

Reconstrução, quais as técnicas?

Olá,

Espero que se estejas bem!


Eu estou muito feliz, porque no domingo que passou conheci mais uma menina Rokitansky. Chegou até mim pelo instagram, através de uma amiga em comum, descobriu o meu blog e decidiu, e muito bem, enviar uma mensagem. Eu fico numa excitação quando conheço alguém igual a mim, penso: “É cá das minhas!” Nós podemos trocar apenas mensagem e nunca nos chegarmos a conhecer, mas é uma ligação tão forte e especial. Nas nossas conversas não há tabus, as perguntas mais íntimas surgem e há sempre resposta. Falamos abertamente sobre tudo parecendo que já nos conhecemos há anos.
As primeiras perguntas normalmente são: “já foste operada? qual a técnica que os médicos usaram? Onde foste operada (hospital)? Correu bem a operação? Já tens relações? Sangras muito? Tens dores?” São perguntas que nunca mais acabam…

Como recentemente falei de operações com a minha nova irmã de coração, pensei que seria a altura certa para falar das as técnicas cirúrgicas que existem.

Após a identificação do tipo, recorda-te que existem três, há que equacionar qual a técnica mais adequada, tendo sempre como objetivo criar uma vagina funcional, no mínimo de 6cm de profundidade e se necessário com ligação ao útero (caso este exista). O ideal é que a intervenção cirúrgica seja simples e de pouco risco para a mulher e que não se crie mais estigmas, no que toca a cicatrizes é esperado que fiquem “invisíveis”. Eu tive sorte porque a minha está linda, não se nota nada.
Tendo em conta estas “exigências” as opções são poucas, temos procedimentos corretivos por pressão ou cirúrgicos (vaginoplastia). A primeira opção, por pressão intermitente, foi explorada por Frank, em 1980, feita à mão ou contra um molde integrado no selim da bicicleta em que a mulher tinha de fazer exercícios de 30min 4x ao dia.

Atualmente esta técnica é feita com dilatadores; através de exercícios diários de dilatação, a mulher vai aumentando progressivamente o tamanho e calibre do dilatador até obter a profundidade desejada e posteriormente tem de usar um molde de silicone pelo menos duas noites por semana. É um método por vezes de difícil colaboração pela mulher, devido a ser uma técnica muito lenta, física e moralmente traumatizante, pois pode ir de meses a mais de um ano. A técnica de Vecchietti, de pressão contínua, permite a construção da neovagina em 7-10 dias. A intervenção (laparoscópia) começa por passar uns fios de tração apoiados numa oliva de material sintético, fios estes que estão ligados ao “molde” inserido no canal vaginal. A contra pressão está no exterior da parede abdominal, a tensão é aumentada gradualmente, ou seja no interior os fios puxam e no exterior o “molde” que é puxado faz pressão e assim se vai criando o canal vaginal, este processo demora pelo menos dez dias, e pode não dispensar o uso de dilatadores;

As técnicas cirúrgicas (vaginoplastia) como a de Wilflingseder (que é a minha), onde é retirado cerca de 15 a 30 cm de intestino delgado, que é colocado sobre o «molde», sendo-lhe removido todo o peritoneu. Se o intestino for demasiado estreito, deverá ser aberto longitudinalmente e suturado sobre o «molde» com uma sutura contínua, onde irá ser colocado o enxerto, com a camada muscular para fora e a das vilosidades para o interior. O molde é colocado e permanece durante 10 dias (pode variar), após este período a mulher tem de usar o molde semi-rígido, até ter uma vida sexual ativa.
As técnicas Baldwin e Pratt, são intervenções que envolvem o intestino grosso, o cólon pode ser dividido em 4: ascendente, transverso, descendente e sigmóide (que conduz ao reto). Vaginoplastias têm sido realizadas utilizando as várias partes do cólon, mas os procedimentos mais comuns envolvem o sigmóide. Um destes segmentos é transplantado e fixado no final da neovagina, e neste caso não é necessário a utilização de moldes após a cirurgia, devido a não existir risco de contração.
A Cirurgia de Abbe e McIndoe, é a cirurgia mais realizada mundialmente para a correção de agenesia vaginal. Quem iniciou este processo foi Abbe (1898) que usava enxerto de pele fina; mais tarde esta técnica foi melhorada por McIndoe (1938) com enxerto de pele total. É recolhida a pele, aproximadamente 20cm por 12cm de qualquer parte do corpo (barriga, coxas, nádegas), depois é revestido o conformador vaginal com a pele e é colocado no local, i.e., onde se vai criar a vagina. Requer repouso durante 10 dias, e é necessária a utilização do molde nos primeiros meses.

Estas são apenas algumas técnicas, na verdade, as mais comuns.
Há que de ter em consideração que cada uma tem as suas vantagens e desvantagens. O ideal é informarmo-nos bem para podermos escolher, caso seja possível. Pois temos sempre de ter em consideração que o médico vai sugerir a técnica que estudou pois um médico que faz este tipo de operação - reconstrução, não sabe aplicar todas as técnicas. Especializa-se numa e é essa que prática.

Qual das técnicas é a melhor?
Eu digo a minha!


Para escrever este post recorri ao O Jornalista Nº2, 30 de Março de 2003, autora Andreia Trigo (portadora MRKH).

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Encontros em Barcelona.

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Hoje é um dia especial, é o nosso dia.

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