Joana

Olá!

Bem-vinda ao a(m)arte blog, que nasce da vontade de contar a minha história, como mulher portadora da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, mas não só. É o ponto de encontro de várias histórias e informação útil que vai ajudar todas as mulheres, em especial as que na sua viagem levam o peso da (in)fertilidade.

Um espaço inteiramente de partilha e dedicado a nós mulheres, que nos devemos amar com as nossas (im)perfeições.

a(m)arte é a arte de ser mulher, de nos amarmos na plenitude.

Encontros em Barcelona.

Encontros em Barcelona.

Olá!

Espero que tenhas gostado do último post. Eu sei que pode ter sido “chato”, por ser um bocadinho mais técnico, mas preciso de partilhar contigo todos os passos para teres uma ideia do que se passa no mundo MRKH power.

Hoje vou falar de um encontro que é muito especial para mim, e onde participei no ano passado em fevereiro. Este ano acontece em março, já neste fim de semana, dia 23 (sábado), infelizmente não vou conseguir estar presente, por vários fatores. Estou “triste” porque gostava muito de ir.

Esta iniciativa dedicada especialmente a mulheres Rokitanskys e à sua família - pais e namorados (as caras metades só podem ir na parte da tarde), é organizada pela Associação A.M.A.R, sediada em Barcelona. Esta associação tem como propósito apoiar as mulheres na aceitação da doença, acompanha, informa e orienta. As grandes impulsionadoras da associação são a Paula e a Sílvia, ambas voluntárias. Conheci-as na minha caminhada pelo mundo MRKH, já tinha falado com elas por sms, skype, mas não as conhecia pessoalmente, ia cheia de entusiasmo para o encontro. Saímos cedo, o Tico também veio, apanhamos o primeiro voo e lá fomos nós até Barcelona! Já cheguei atrasada, a sala estava cheia, eu sentei-me num cantinho junto das outras meninas, olhei à minha volta e grande parte eram jovens (assim como eu), estava lá uma menina, com os pais, que ainda não devia ter 10 anos. Mas eu pensei, olha temos aqui uma Roki que já é mãe, talvez por adoção, gestação de substituição. No decorrer da conversa com a ginecologista Arianna, que nos falava sobre a vagina, operações, ciclos menstruais - que apesar de não menstruarmos temos na mesma - apercebo-me que a menina é quem tem a doença. Respirei fundo, fiz um esforço enorme para não chorar, apesar de os olhos se encherem de água, e deixei a minha mente ser invadida por memórias de 2004, ano em que descobri a minha condição. Naquele momento pensei muito naquela menina, no que ainda ia passar, tão pequenina. Dei por mim a pensar, não é justo, porra!
Eu descobri aos 17 anos e foi tão difícil, aquela pequena com menos de 10 aninhos já sabe a doença que tem… Os pais super atentos ao que se dizia, na partilha de histórias perguntavam, queriam saber mais. Queriam ter o máximo de informação para se prepararem e ajudarem a sua filha da melhor forma.
Apesar do diagnóstico ser nosso, há toda uma família que fica abalada. Nesse encontro de 2018, estava mais uma rapariga, adolescente, com os pais. Achei tão curioso e bonito, era o pai quem colocava mais questões.

Éramos 22 mulheres, deviam ser poucas as que se conheciam, mas ali todas partilhávamos as nossas histórias, as nossas dificuldades, falávamos da nossa sexualidade de coração aberto, sem pudor nem julgamento. Naquele dia fiz novas amigas, fui a última a sair, e no final o Tico veio ter comigo.

Depois ainda fomos jantar e caminhamos até ao hotel, apesar de estar de rastos, porque estes dias para mim são intensos emocionalmente, fico mesmo muito cansada, mas soube bem aquela caminhada, acompanhada pelo frio de Barcelona.

Bom evento, mis hermanas <3

Simbolo_amarte_rodape.png
Empoderamento.

Empoderamento.

Reconstrução, quais as técnicas?

Reconstrução, quais as técnicas?