Joana

Olá!

Bem-vinda ao a(m)arte blog, que nasce da vontade de contar a minha história, como mulher portadora da síndrome Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, mas não só. É o ponto de encontro de várias histórias e informação útil que vai ajudar todas as mulheres, em especial as que na sua viagem levam o peso da (in)fertilidade.

Um espaço inteiramente de partilha e dedicado a nós mulheres, que nos devemos amar com as nossas (im)perfeições.

a(m)arte é a arte de ser mulher, de nos amarmos na plenitude.

MRKH What??

MRKH What??

Olá!

Espero que tenhas gostado do primeiro post.

As mensagens que recebi foram muito positivas! Fiquei tão feliz e cheia de vontade de continuar a partilhar esta aventura contigo!

Antes de começar deixa-me só dizer que na segunda-feira estive com a Soraia Coelho, da Pelvic.Care, que em breve vai escrever um artigo para o blog. Fica atenta, porque a temática vai ser super interessante!

Hoje ainda vou continuar a falar da minha condição, pode ser chato, por ser uma linguagem mais técnica, mas é fundamental para que percebas os próximos textos, onde irei abordar as formas de tratamentos e outros assuntos. Vamos a isso?!

A síndrome MRKH é designada por Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, que representa o nome dos homens que descobriram e estudaram a minha condição, que corresponde a uma anomalia congénita do aparelho reprodutor feminino, que consiste na ausência total ou parcial do canal vaginal e útero;  os ovários funcionam, mas não menstruo, logo, tenho características normais do sexo feminino e a “olho nu” nada indica a doença que tenho, que ocorre estatisticamente entre 1 em cada 5000 mulheres. As causas ainda não são totalmente conhecidas, apenas se sabe que ocorrem alterações em certa altura do desenvolvimento fetal, que bloqueia o crescimento dos órgãos lesados. Há quem defenda a ideia que acontece devido a fatores ambientais, como a poluição, radiações... No geral só se descobre na adolescência pelo insucesso do ato sexual (o meu caso), ausência da menstruação (também o meu caso), de se ter ou não, dores abdominais cíclicas, que surgem em casos de mulheres que tem um pequeno útero funcional (>1cm) devido ao hematométrio - hemorragia resultante da descamação menstrual,  que por não sair, se acumula no interior da cavidade uterina.
Para além da ausência do útero e vagina, podia ainda ter malformações renais, ou mesmo ausência de um rim, podia também ter perda de audição, deformações nas vértebras lombares e sagradas, malformações de costelas, ausência de dedos ou a sua fusão, doença cardíaca congênita (não é o meu caso).

Pedi ao Tico ( meu namorado) para ilustrar a diferença do aparelho reprodutor feminino de uma mulher dita normal e de uma mulher roky, ou seja, portadora de MRKH.
(Ficou linda a ilustração, adoro!)

ilustração: Flávio Tico

ilustração: Flávio Tico


Existem vários tipos de agenesia vaginal - MRKH:

Tipo I
(típico): representado por alterações restritas ao sistema reprodutor:
(eu sou uma mulher muito típica :) )

- ausência de canal vaginal
- ausência de útero/útero rudimentar simétrico
- ausência de cervix
- cromossomas normais
- trompas de falópio normais
- rins normais
- ovários normais

Tipo II (atípico) : assimetria no remanescente uterino e anomalia das tubas uterinas. Essa forma pode estar associada a doença ovariana, alterações renais, ósseas e otológicas congénitas:

- ausência de canal vaginal
- ausência de útero/útero rudimentar assimétrico
- ausência de cervix
- cromossomas normais
- anomalias dos ovários
- anomalias de outros órgãos reprodutivos

Tipo III (MURCS - Mullerian, Renal, Cervico-Thoracic Somite Malformations):  envolve hipoplasia (desenvolvimento insuficiente) ou aplasia (ausência total) uterovaginal, malformações renais, ósseas e cardíacas:

- ausência de canal vaginal
- ausência de útero
- ausência de cervix
- cromossomas normais
- anomalias renais
- anomalias cervicotorácicas

Para escrever este post recorri ao “O Jornalito”, escrito pela Andreia Trigo (uma grande amiga, também roky), este jornal tinha como objetivo fornecer informação, dar apoio psico-emocional e partilhar experiências entre raparigas com a síndrome MRKH.

Sabem qual a data do primeiro “ O Jornalito”?
18 de Novembro de 2002

Num próximo post quero falar sobre este suporte de apoio e da minha querida amiga Andreia Trigo!

Um grande beijinho e até breve.

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Conhecer mulheres inspiradoras.

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Catorze anos de Neovagina.

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